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segunda-feira, 20 de maio de 2013 | 21:17 | 0 Comentários

Juiz de paz pede demissão para não celebrar casamento igualitário no Pará

Juiz de paz alega que decisão do CNJ contraria "princípios celestiais".
Cartório de Redenção diz que não pode haver discriminação.


Por Gil Sóter e Ingo Müller
Juiz de paz José Gregório prefere se demitir a celebrar casamento igualitário em Redenção, no Pará (Foto: Arquivo pessoal)Juiz de paz José Gregório prefere se demitir a celebrar casamento entre pessoas do mesmo sexo em Redenção, no Pará (Foto: Arquivo pessoal)
O juiz de paz do Cartório do Único Ofício de Redenção, sudeste do Pará, pediu demissão do cargo após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios a realizarem casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele alega que "o casamento homoafetivo fere os princípios celestiais”.

Nomeado para o cargo há sete anos, José Gregório Bento, 75 anos, há mais de quatro décadas é pastor da Igreja Assembleia de Deus, e trabalha como voluntário no cartório civil da cidade, fazendo conciliações e celebrando casamentos.

Segundo o pastor, ele protocolou a demissão porque se recusa a obedecer a decisão CNJ, publicada no último dia 14 de maio, que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

“Deus não admite isso. Ele acabou com Sodoma por causa desse tipo de comportamento”, declarou José Gregório. “Acho essa decisão horrível. Ela rompe com a constituição dos homens, mas não vai conseguir atingir a constituição celestial”, completa.

Segundo Gregório, ele recebeu a notificação de que não poderia se recusar a fazer casamentos de pessoas do mesmo sexo nesta segunda-feira (20) mas afirmou que, desde a publicação da decisão da Justiça, já havia tomado a decisão de abrir mão do cargo. “Não há lei dos homens que me obrigue a fazer aquilo que contrarie os meus princípios”, alega. “Existe ai uma provocação para um grande tumulto no nosso país. Deus fez o homem e a mulher para a procriação, para reproduzir. Não sei onde vai chegar isso”, questiona.

O pastor afirma ainda que solicitou a demissão ao titular do cartório, Isaulino Pereira dos Santos Júnior, mas que o tabelião pediu que ele permanecesse no cargo. “Ele me pediu para eu ficar e disse que caso alguém solicitasse o pedido de casamento homoafetivo, outro juiz de paz seria chamado para realizá-lo. Mas aqui, graças a Deus, ainda não chegou ninguém pedindo o casamento homoafetivo".

Cartório nega discriminação
Procurado pelo site G1, o titular do cartório civil de Redenção negou a versão do pastor. “De fato, ele pediu afastamento do cargo na quarta-feira passada (15), alegando que iria mudar de cidade para cuidar da esposa que estaria internada na UTI de Goiânia, mas não falou nada sobre se recusar a fazer casamentos entre pessoas do mesmo sexo”, alegou Isaulino.

Ainda de acordo com o titular do cartório, caso o pastor tivesse pedido exoneração porque não aceita o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ele seria imediatamente afastado do cargo. “Eu iria acatar o afastamento, porque não pode haver discriminação. Caso ele queira sair por esse motivo, eu vou solicitar imediatamente ao juiz da comarca outro juiz de paz”, afirma Santos Júnior, que garante ainda que o pastor não entregou ao cartório nenhuma solicitação oficial de demissão do cargo.

Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Pará (Amepa), Heyder Ferreira, o juiz de paz pode pedir demissão se discordar de uma decisão do CNJ. “Se ele continuar no cargo, é obrigado a cumprir a determinação, mas por ser voluntário, não podemos impor. O cartorário, em compensação, é obrigado a cumprir a determinação”, explica.

De acordo com o último levantamento realizado pelo IBGE, no Censo 2010, 1.782 pessoas declararam viver em casamento entre pessoas do mesmo sexo no Pará.

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'Professor era homossexual e jovem o seduziu para roubá-lo', diz delegado em Santa Catarina

Testemunha contou que os dois se conheceram pela internet.
Crime ocorreu 15 dias após início do namoro, em Chapecó, no Oeste.


Por Géssica Valentini
'Professor era homossexual e jovem o seduziu para roubá-lo', diz delegado
Um adolescente de 17 anos é o principal suspeito de matar o professor universitário Alcides Bittencourt, de 45 anos, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Conforme o delegado Fábio Baja, o professor era gay e uma testemunha contou que ele conheceu o jovem em um bate-papo através da internet. A principal linha de investigação é que a aproximação tenha sido com intenção de roubar o professor.

O crime ocorreu 15 dias após o início do relacionamento e acabou com a morte de Bittencourt no sábado (18). "Após conquistá-lo, os dois namoraram por cerca de 15 dias e neste período o rapaz fez inúmeras perguntas, sobre salário, bens, estava muito interessado em tudo. Isso nos leva a crer que ele já estava planejando roubá-lo", afirmou o delegado.

Segundo Baja, a testemunha ainda relatou que, no sábado, os dois se encontraram como de costume e o adolescente pediu para buscar um casaco na casa de um amigo. No caminho, na Linha São Vendelino, dois homens encapuzados e armados abordaram o veículo. "Eles se juntaram ao jovem, mas estavam nervosos e xingavam muito, dizendo que era somente para levar carro, não era para ter pessoas junto", contou o delegado.

O professor e um amigo, que acompanhava os dois, foram colocados de joelhos e as joias e pertences foram tirados. Depois, o adolescente efetuou três disparos. Bittencourt foi atingido na cabeça e no tórax e não resistiu aos ferimentos. Já o amigo, de 24 anos, foi atingido com um tiro de raspão na orelha e conseguiu procurar ajuda e chamar a polícia.

O adolescente e os dois jovens que abordaram o grupo fugiram com os pertences e o carro, um Corolla. "Tudo indica que o caso era planejado e que se trata de um latrocínio, roubo seguido por morte, mas as investigações vão continuar", explicou o delegado. Nesta segunda (20), o caso foi encaminhado para outra delegacia que deve continuar a busca pelos suspeitos e a investigação.

O corpo do professor foi velado em Chapecó e o enterro ocorreu neste domingo (19), por volta das 16h30, no Cemitério Parque Jardim do Éden.

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sábado, 18 de maio de 2013 | 00:55 | 0 Comentários

Dia Mundial contra a Homofobia tem pouca repercussão no Brasil

Da Agência EFE

O Dia Mundial contra a Homofobia teve pouca repercussão nesta sexta-feira no Brasil, apenas três dias depois que a Justiça aprovou a equiparação de uniões civis entre casais do mesmo sexo com o casamento.

Um dos principais atos aconteceu na Câmara Municipal de Salvador, onde o Grupo Gay da Bahia, o mais antigo do Brasil, organizou uma manifestação para chamar a atenção sobre a homofobia.

Em Brasília, a Comunidade Athos, uma igreja pró-gay, fez esta noite uma oração contra a homofobia em frente ao Congresso Nacional.

No Brasil só se contemplava até agora a figura da 'união estável' de pessoas do mesmo sexo, que em termos de direitos é equivalente a um casamento, mas seus membros são considerados 'solteiros' e como tais têm limitações quanto a heranças e outras garantias reservadas aos casais heterossexuais.

Para celebrar a data de hoje, o Centro de Cidadania LGTB de Niterói montou um quiosque onde advogados, psicólogos e assistentes sociais divulgaram os serviços do centro e orientaram as pessoas sobre os direitos da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no Brasil.

Apesar dos recentes avanços, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo pastor Marcos Feliciano, acusado de declarações homófobas, machistas e racistas, debateu recentemente uma suposta 'cura gay', que foi alvo de protestos de deputados e ativistas.

Por sua vez, o coordenador do programa 'Rio sem Homofobia', Claudio Nascimento, disse que 'os desafios são grandes', mas que as conquistas alcançadas dão 'força' e mostram 'que é possível continuar promovendo os direitos para a população LGTB'.

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quinta-feira, 16 de maio de 2013 | 12:26 | 0 Comentários

'Uma conquista', diz casal de MS que já marcou a data do casamento

A partir desta quinta (16) cartórios são obrigados a realizar casamento.
Kenidy e Ewerton, noivos há um ano, vão casar em setembro.


Por Tatiane Queiroz
Ewerton e Kenidy se casam em setembro deste ano, em Campo Grande (Foto: Tatiane Queiroz)Ewerton e Kenidy se casam em setembro deste ano, em Campo Grande (Foto: Tatiane Queiroz)
A nova resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios de todo o país a celebrar o casamento civil e a converter a união estável homoafetiva em casamento começa a valer a partir desta quinta-feira (16). O estudante do curso de farmácia, Kenidy Palácio, de 30 anos, afirma que a decisão é uma “conquista”. Ele está noivo do cabeleireiro Ewerton Vieira, também de 30 anos, e pretende se casar em alguns meses.

“Decisões como essas beneficiam um grande grupo de pessoas no país, por isso acredito que a Justiça está atuando, está cumprindo o seu papel”, destaca o acadêmico.

Kenidy e Ewerton namoram há quatro anos e estão noivos há um ano em Campo Grande. Eles disseram que pretendiam fazer o contrato de união estável homoafetiva, mas, com a regularização do casamento de pessoas do mesmo sexo, mudaram de ideia e optaram pelo casamento.

Para o estudante, firmar um contrato de união estável e casar representam coisas diferentes. “Como o próprio nome diz, a união estável é um contrato, um acordo. Já o casamento é a constituição de uma família”, explica Kenidy.

Segundo o casal, a data do casamento já está marcada para setembro deste ano. “Já ganhamos alguns presentes e também vamos dar uma festa”, disse Ewerton. “As nossas famílias estão ajudando nos preparativos”, completou Kenidy.

Pela decisão do CNJ, os cartórios não poderão rejeitar o pedido de casamento civil ou de conversão de união estável homoafetiva em casamento. A decisão é válida para todo o país.

Conforme o texto da resolução, caso algum cartório se recuse a concretizar o casamento civil, o cidadão deverá informar o juiz corregedor do Tribunal de Justiça local. A recusa em concretizar o casamento, diz o texto, "implicará a imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para as providências cabíveis".

Casamento igualitário em MS
Em 2 de abril deste ano, uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) regularizou o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo no estado. O STF já havia reconhecido, em maio de 2011, o direito de casais do mesmo sexo ao casamento em todo o país.

Mato Grosso do Sul foi o segundo estado da região Centro-Oeste a regulamentar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. No país, o estado foi o 12º que adotou a medida.

Casamento comunitário
O 1º casamento civil igualitário comunitário de Mato Grosso do Sul está marcado para o dia 5 de julho. O evento terá início às 17h e será realizado no Instituto de Cidadania e Juventude, em Campo Grande.

Os casais interessados em participar do casamento coletivo, podem procurar a Defensoria Pública até o dia 31 de maio. É necessário levar Certidão de Nascimento e RG. O órgão fica localizado na avenida Raul Pires Barbosa, número 1503, no bairro Chácara Cachoeira. O horário de funcionamento é das 8h às 16h, de segunda a sexta-feira.

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Regra que obriga cartórios a realizar casamento igualitário entra em vigor

Resolução do CNJ começa a valer a partir desta quinta-feira.
Maior dificuldade é adaptar o sistema de informatica dos cartórios.


Do Gay1
Resolução determina que cartórios devem celebrar o casamento igualitário (Foto: Raul Zito)Resolução determina que cartórios devem celebrar o casamento igualitário (Foto: Raul Zito)
Nesta quinta-feira (16) começa a valer a nova resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina que os cartórios de todo o país devem celebrar o casamento civil e converter a união estável homoafetiva em casamento.

No Acre, o delegatário Fabrício Mendes dos Santos, responsável pelo 1º Tabelionato de Notas e 1º Ofício do Registro Civil das Pessoas Naturais, explicou que alguns ajustes vão ter que ser feitos no sistema usado para gerar as minutas. "A maior dificuldade, estando autorizado, é em relação ao sistema de informática do cartório. Normalmente o sistema já coloca noivo e noiva automaticamente, a gente vai ter que fazer algumas adaptações no sistema", afirma.

Ele explica que na época da decisão do Superior Tribunal Federal sobre as uniões estáveis homoafetivas, não foi analisado especificamente o caso do casamento e por isso cada estado regulamentava isso de acordo com a demanda. "Antes se fazia uma solicitação para o juiz da Vara, tendo a normativa, não vai precisar dessa solicitação", afirma.

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre, Moisés Alencastro, está tentando implementar uma comissão para discutir a diversidade sexual no órgão. Ele afirma que essa é uma grande vitória para o movimento LGBT.

"O conselho nacional de justiça fez uma decisão que já estava sendo tomada pela maioria dos estados. A nossa luta agora é que seja realmente regularizada, e que não tenha a criação de nenhuma lei proibindo", afirma.

No último ano, pelo menos 1.277 casais do mesmo sexo registraram suas uniões nos principais cartórios de 13 capitais, segundo levantamento preliminar da Associação de Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR).

Atualmente, para concretizar a união estável, o casal do mesmo sexo precisa seguir os trâmites em cartório. Até agora, para o casamento, eles pediam conversão da união estável em casamento e isso ficava a critério de cada cartório, que podia ou não conceder.

O casamento civil igualitário também está em discussão no Congresso Nacional. Para Joaquim Barbosa, seria um contrassenso esperar o Congresso analisar o tema para se dar efetividade à decisão do STF.

"Vamos exigir aprovação de nova lei pelo Congresso Nacional para dar eficácia à decisão que se tomou no Supremo? É um contrassenso."

De acordo com Barbosa, a discussão sobre igualdade foi o "cerne" do debate no Supremo. "O conselho está removendo obstáculos administrativos à efetivação de decisão tomada pelo Supremo e que é vinculante [deve ser seguida pelas instâncias inferiores]."

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terça-feira, 14 de maio de 2013 | 16:33 | 0 Comentários

Procurador e deputados do PT e PMDB questionam decisão do CNJ sobre casamento igualitário

Sanseverino opinou contra decisão de obrigar cartório a fazer casamento.
'Daqui a pouco será melhor fechar Congresso', afirmou presidente da CCJ.


Do Gay1

O subprocurador-geral da República Francisco Severino e os deputados Décio Lima (PT-SC) e Fabio Trad (PMDB-MS) questionaram nesta terça (14) a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios a fazer o casamento de pessoas do mesmo sexo. Lima é presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e Trad, da comissão especial que debateu a reforma do Código de Processo Civil.

Para Sanseverino, compete ao Congresso Nacional regulamentar o casamento civil igualitário. "Caberia, em princípio, ao Congresso elaborar uma lei com objetivo específico regulamentando as consequências civis da união estável homoafetiva", afirmou no intervalo da sessão do CNJ.

Durante a discussão do tema no conselho, Sanseverino já havia opinado contra a resolução. Ele substituiu o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que não estava presente e tem como uma das funções acompanhar as sessões do conselho para opinar sobre temas a serem aprovados.

O subprocurador afirmou que não se trata de uma posição institucional contrária à resolução, mas sim, pessoal. Para ele, o CNJ não poderia regulamentar o tema porque, quando o STF discutiu a união estável entre pessoas do mesmo sexo em 2011, não falou sobre casamento.

Sanserino explicou, porém, que o MP não deve questionar a decisão porque o CNJ tem como função regulamentar a atuação dos cartórios.

Para Sanseverino, a resolução do CNJ não impede que o Congresso regulamente o direito do cidadão. "Esse [o Congresso] é o foro adequado de representação da sociedade brasileira como um todo, onde as várias correntes políticas e sociais estão ali presentes para definir."

'Fechar o Congresso'
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Décio Lima (PT-SC) que, se o Judiciário continuar a decidir sobre questões do Legislativo, será melhor “fechar o Congresso Nacional”.

Para ele, é correta a decisão do CNJ de obrigar os cartórios a celebrar união estável e casamento civil de pessoas do mesmo sexo, porque, afirmou, é preciso “unificar os procedimentos”.

No entanto, ele criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal de maio de 2011 que liberou a união estável homoafetiva e deu nova interpretação à Constituição que, na prática, autorizaria o casamento civil igualitário.

Para Décio Lima, caberia ao Congresso Nacional alterar o Código Civil e a Constituição Federal para autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“A decisão do CNJ está correta do ponto de vista de que tem que haver essa formulação, diante da decisão do Supremo sobre a matéria. O que eu questiono é que caberia ao Congresso decidir sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, disse.

O deputado reconheceu, contudo, que o Legislativo tem demorado a analisar propostas que reconhecem o direitos LGBT. “Reconheço que o Congresso tem dificuldade em dar andamento a essa matéria, mas isso é natural. Somos uma casa múltipla, plural, e as votações exigem debate. Mas nós é que teríamos que decidir sobre isso”, afirmou.

'É estranho'
Presidente da comissão especial que debateu a reforma do Código de Processo Civil, o deputado Fábio Trad (PMDB-MS) disse "estranhar" que o CNJ, um órgão encarregado de fiscalizar a atuação administrativa e financeira do Judiciário, tenha se manifestado sobre o casamento igualitário.

Na avaliação de Trad, que também é jurista, os conselheiros do CNJ fizeram uma manifestação "jurisdicional".

"É uma questão de natureza jurídica, de mérito. Estranho que o CNJ tenha se manifestado a esse respeito, porque é uma manifestação jurisdicional. A princípio, a ideia é de que o CNJ tem competência administrativa, de fiscalização dos tribunais. De fato, é estranho", afirmou Trad.

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Associação diz que decisão do CNJ vai uniformizar atuação de cartórios

Decisão do CNJ obriga cartórios a realizar casamento civil igualitário.
Atualmente, alguns cartórios aceitam e outros rejeitam esse tipo de união.


Por Mariana Oliveira

O presidente da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg), Rogério Bacelar, afirmou nesta terça-feira (14) que a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de obrigar a oficialização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo vai uniformizar os procedimentos dos cartórios. A entidade reúne cartórios de todo o país.

Pela regra aprovada pelo CNJ, os cartórios não poderão rejeitar o pedido de casamento civil, como acontece atualmente em alguns casos. A decisão do CNJ poderá vir a ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eu acho correto porque alguns estados já fazem [o casamento civil]. Então, a resolução disciplina. Dessa forma, todos os estados começarão a trabalhar da mesma maneira", disse Bacelar.

Ele afirmou que a entidade pretende fazer um levantamento para verificar em quais estados os cartórios ainda não realizam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Segundo o presidente do CNJ e autor da proposta, Joaquim Barbosa, que também é presidente do STF, a resolução visa dar "efetividade" à decisão tomada em maio de 2011 pelo Supremo, que liberou a união estável homoafetiva.

Conforme o texto da resolução, caso algum cartório se recuse a concretizar o casamento civil, o cidadão deverá informar ao juiz corregedor do Tribunal de Justiça local. "A recusa implicará imediata comunicação ao respectivo juiz corregedor para providências cabíveis", diz a resolução.

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